Hoje eu começo uma série de posts que eu considerei por muito tempo guardar em uma gaveta de casa para, em um futuro próximo, tentar publicar em um livro de verdade: contar um pouco como foi minha trajetória no mercado editorial brasileiro. Digamos que vou me limitar a postar no máximo 4000 caracteres por vez, para não pesar a leitura e para não me deixar levar pelas lembranças que vêm na mente (que não são poucas)… Acredito que esta também será uma forma de contar um pouco para quem passar por este blog como é o dia a dia de uma redação de games no Brasil. Enfim, eis como tudo começou:


Eu sempre gostei de jogar videogame. Não sei dizer se era meu hobby favorito ou se fui influenciado pelo meu pai. Só sei que nasci jogando videogame, cresci jogando videogame, faltei muito na escola por jogar videogame e sempre tive a certeza que jogarei videogame até quando não puder mais. Mas nada disso seria possível se eu não tivesse a sorte de ter um pai como eu tenho. Graças ao esforço que ele sempre teve em fazer eu e minha irmã felizes, eu pude ter (e não precisar vender) todos os videogames que chegaram ao Brasil. E foi meu pai também que me apresentou a todas as revistas de games da época, comprando toda semana os exemplares da antiga revista Videogame, da Games em Ação, SuperGame e assim por diante. Na real, essa foi minha principal base na leitura. Pode parecer mentira, mas demorou muito para eu me interessar e ler um livro de verdade (só fui criar hábito quando a escrita havia se tornado meu ganha-pão).
Talvez por este motivo eu nunca fui muito bom para fazer grandes referências de outras formas de arte ou florear com palavras prolixas, mas sim (e sem falsa modéstia), com referências da história e da indústria de games e palavras que eu sempre tive certeza que um leitor deste tipo de texto gosta de ler.
E foi no final de 2000, no pleno auge do lançamento do PlayStation 2 americano, que eu posso dizer que meu destino foi traçado. Antes de ter o segundo console da Sony, eu acreditava que meu futuro seria ou na música ou nas histórias em quadrinhos. Mas foi jogar a primeira leva de games para perceber que eu poderia fazer algo diferente e ajudar novos jogadores a conhecerem mais sobre este console. Foi assim que eu usei o pouco conhecimento que eu tinha para desenvolver um site dedicado exclusivamente para o PlayStation 2. E assim nasceu, exatamente no primeiro dia de janeiro de 2001, o PS2Millennium.com, o primeiro (e acho que foi o único) site de games brasileiro dedicado a este console. Nem preciso falar que meu Natal de 2000 foi dividido entre ceia com a família e muita programação em HTML.
O processo era muito simples: tudo que eu tinha que fazer era jogar todo jogo que chegava na minha mão e usar o tempo que eu tinha para escrever meus próprios reviews. Mas o que fez mesmo o site deslanchar logo na primeira semana de lançamento foi sem dúvida eu ter escrito o primeiro detonado de Final Fantasy X. E minhas referências eram as melhores: as revistas de games como Ação Games e SuperGamePower.
A divulgação do site ocorreu basicamente em um único lugar: o fórum de jogos do site UOL. Nem foi preciso fazer muito esforço, para rapidamente ter meus quase 100 visitantes diários. O difícil mesmo era dar conta do conteúdo todo: reviews, previews, notícias, dicas, wallpapers e a cereja do bolo que todo mundo queria ver: mais detonados.
Mas isso não era suficiente. Sempre tive a consciência de que um site de games só ganharia respeito se tivesse uma equipe enorme de colaboradores e jornalistas. O que eu fazia? Simples. Comecei a criar novos pseudônimos para literalmente mostrar volume na equipe editorial. Foi sujo? Nem um pouco. Para cada pseudônimo eu precisei desenvolver um estilo de texto, o que me deu uma segurança muito maior de criar novos textos.
Depois dos primeiros meses, alguns marujos abraçaram a minha causa e começaram a me ajudar colaborando na criação de novas matérias. Foi aí que eu comecei a perceber o quanto meu texto era bom ou ruim se comparado ao dos outros colaboradores e o quão importante era o meu papel no sentido de não deixar a qualidade do meu site cair, principalmente quando eu publiquei no site sem saber o texto que um colaborador copiou de outro portal de games muito famoso. Mas essa história eu deixo para a próxima semana…

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